24/09/16

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Como arma a laser começa a sair da ficção científica para ser usada militarmente

O governo britânico está finalizando um acordo de 30 milhões de libras (R$ 127 milhões) com uma empresa fabricante de armamentos para desenvolver o protótipo de uma arma a laser - que deve ser chamada de "Dragonfire" (fogo de dragão, em tradução livre).
O conceito de se usar um raio concentrado de laser para atacar inimigos é comum na ficção científica, especialmente em franquias como Star Wars e Star Trek, mas só nos últimos anos ele começou a dar origem a armas reais.
Muito países já desenvolvem a ideia há anos, em busca de uma nova geração de armamentos. Porém, as pistolas ou fuzis que disparam raios coloridos no cinema parecem ainda estar um pouco distantes da realidade.
Boa parte da pesquisa militar sobre o tema que já veio público se concentra em criar armas laser de grande porte para o uso em navios de guerra. O objetivo delas é destruir mísseis e foguetes que ameacem a embarcação e também usar seu sistema ótico para identificar possíveis alvos a distância.
Em 2014, os Estados Unidos anunciaram ter equipado ao menos um de seus navios de guerra - o USS Ponce - com um protótipo de sistema de arma a laser. Ele é uma espécie de canhão que dispara um feixe de laser invisível. A função da arma é complementar sistemas de defesa do navio de guerra, que são projetados para destruir mísseis já próximos da embarcação.
Durante testes, a arma provou ser efetiva também para desabilitar ou destruir drones e pequenas embarcações hostis. Os militares americanos dizem que os aviões não tripulados e pequenas lanchas podem ser usados contra seus navios por inimigos mais fracos nas chamadas "guerras assimétricas" (quando um Estado luta contra grupos extremistas ou guerrilheiros, por exemplo).

Mira e identificação de alvos

Mas por que desenvolver a tecnologia de armas laser?
O laser já tem aplicações militares conhecidas, especialmente quando se fala em sistemas de mira e identificação de alvos. Ele também chegou a ser usado para cegar inimigos, mas esse tipo de utilização foi banido em tratados internacionais por ser excessivamente cruel.
A pesquisa atual é sobre a utilização do laser como uma espécide de "munição" - substuindo mísseis e projéteis.
Uma das maiores vantagens desse novo tipo de arma seria a redução dos custos. Armas navais convencionais exigem o uso de munições e mísseis que custam milhares de dólares e ocupam muito espaço nas embarcações militares.
Já um disparo de laser custava à Marinha americana à época dos testes apenas cerca de US$ 1. O custo baixo se explica porque ele depende basicamente da geração de energia do navio. Além disso, a nova "munição" não necessitava de grandes locais de armazenamento e o navio não precisava ser reabastecido de munição a laser.

Tecnologia britânica

A empresa responsável pelo desenvolvimento do equipamento para o Ministério da Defesa da Grã-Bretanha será a fabricante de mísseis MBDA UK Ltd.
Pelo contrato, a empresa terá que criar uma arma de energia laser dirigida (LDEW, na sigla em inglês) que seja capaz de fazer uma demonstração efetiva entre os anos de 2018 e 2019.
Para cumprir a tarefa, a MBDA trabalhará com outras empresas desenvolvedoras de tecnologia militar.
O sistema de armas laser deverá ser capaz de identificar alvos a distância em qualquer tipo de clima ou terreno "com precisão suficiente para permitir um combate seguro e efetivo".
Outra possibilidade da pesquisa, é que o laser seja usado no futuro para proteger tropas terrestres contra ataques de artilharia.
A pesquisa do Dragonfire faz parte de um fundo de inovação do Ministério da Defesa da Grã-Bretanha destinado a, entre outros objetivos, dar vantagem tecnológica para seus militares em combate, segundo o governo.

fonte:http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37413537#orb-banner
foto:http://www.telegraph.co.uk/business/2016/09/16/dragonfire---the-laser-gun-being-developed-for-british-forces/

Lei de Drogas teve efeito inverso e piorou situação carcerária, apontam especialistas

Se a chama Lei de Drogas foi editada com a intenção atenuar o excesso de punitivismo estatal, o efeito prático foi o contrário, apontam especialistas. Editada em 2006, a lei aumentou as penas por tráfico, mas criou punições alternativas para usuários e ampliou o uso de medidas cautelares. Mas o que aconteceu desde então foi o aumento da população carcerária, impulsionado principalmente por condenações por tráfico.
Agora, o Poder Judiciário tenta reequilibrar a questão por meio de decisões consideradas progressistas, como a que disse que o tráfico privilegiado não é crime hediondo, tomada pelo Supremo Tribunal Federal no primeiro semestre deste ano. E desde 2015 discute se é constitucional considerar crime o porte de drogas para consumo pessoal.
O período de dez anos da lei que instituiu o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas foi analisado em um seminário feito pela Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp). Nesta sexta-feira (23/10), o ministro Gilmar Mendes, do STF, disse que a lei foi feita com o intuito de mitigar o tratamento que se dava ao usuário, mas que surpreendentemente o número de presos aumentou.
“Esse tema também gera um debate sobre controle de constitucionalidade. A Suprema Corte de um país pode alterar a decisão tomada pelo legislador?”, questionou Gilmar. A resposta pode ser retirada de seus votos. Votou pela descriminalização do porte de qualquer droga e pelo afastamento da condição de hediondo do crime de tráfico privilegiado.
Triste crescimento
Em um painel mais cedo, Valdirene Daufemback, diretora de políticas penitenciárias do Departamento de Políticas Penitenciárias do Ministério da Justiça, o Depen, despejou uma série de dados que fazem pensar, temer e lamentar.

  • O Brasil tem a 4ª população mundial de presos.
  • Se o ritmo de encarceramento desses países continuar como é agora, o Brasil irá para a 1ª posição em 2050.
  • O Brasil tem uma média de 304 presos para 100 mil habitantes, mais que o dobro da média mundial
  • Nos últimos 15 anos, o Brasil foi o 2º país no qual a população carcerária mais cresceu, atrás da Indonésia
  • De 1990 a 2014, a população carcerária brasileira aumentou 575%
  • 41% dos presos são provisórios
  • O risco de ser assassinado dentro de um presídio é seis vezes maior do que nas ruas
Valdirene afirma que essa explosão tem “tudo a ver com a guerra às drogas”. E, mais especificamente, com a Lei de Drogas de 2006. “O texto mudou a tipificação pela qual as pessoas passaram a ser presas. E o resultado é que aumentou muito o número de pessoas presas por tráfico. Aumentou também o número de negros presos, consequência direta da lei”, disse a diretora do Depen.
Lei cega
Dividindo a mesa com Valdirene estava o desembargador Otávio Augusto Almeida Toledo, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que disse ser também um severo crítico a lei. Segundo ele, o texto legislativo não consegue passar uma linha entre quem deve e quem não deve ser preso.

“Não vejo sucesso em uma política de drogas que permite que um usuário possa ser condenado por tráfico mesmo que seja usuário, tudo baseado na quantidade da substância que foi encontrada”, afirmou o desembargador.

Reportagem de Fernando Martines
fonte:http://www.conjur.com.br/2016-set-23/lei-drogas-teve-efeito-inverso-piorou-situacao-carceraria
foto:http://mundocontemporaneohoje.blogspot.com.br/2015/08/lei-das-drogas.html

“Fármacos psiquiátricos nos fazem mais mal do que bem”


Em 1936, o neurologista português Egas Moniz apresentou uma operação cirúrgica que destruía conexões entre a região pré-frontal e outras partes do cérebro. Esta cirurgia, chamada lobotomia, popularizou-se como tratamento para a esquizofrenia e valeu o Nobel de Medicina a Moniz em 1949. A intervenção caiu em desuso após o surgimento de drogas como a clorpromazina, que se tornaram o tratamento habitual para esse tipo de doença mental.
Desde então, a lobotomia se tornou símbolo de uma psiquiatria que anulava os pacientes sob a justificativa de curá-los, e alguns grupos de familiares de lobotomizados pediram inclusive que o Nobel de Moniz seja cassado. Alguns especialistas, porém, entendem que naquela época, sem alternativas terapêuticas para essas psicoses, o tratamento do médico português melhorava a vida dos pacientes e de seus familiares.
O caso da lobotomia é uma amostra de como podem ser polêmicas as ferramentas terapêuticas de uma disciplina complexa como a psiquiatria. Os fármacos que serviram para tornar aquela cirurgia obsoleta, preservando, segundo muitos psiquiatras, a dignidade para pacientes com transtornos psicológicos graves, tampouco estão imunes às críticas. Peter Gøtzsche (Næstved, Dinamarca, 1949), professor de Concepção e Análise de Testes Clínicos da Universidade de Copenhague, há anos defende a redução drástica do uso de fármacos contra as doenças psiquiátricas. Em seu livro Medicamentos Mortais e Crime Organizado (editora Bookman), o pesquisador dinamarquês analisa as carências da ciência que justifica o uso desses fármacos e explica por que acredita que, apesar do consenso favorável a eles entre os psiquiatras, esses remédios “estão fazendo mais mal do que bem”.

Pergunta. Você defende uma redução paulatina [Gøtzsche adverte sobre o risco de deixar de tomar psicofármacos repentinamente], mas praticamente total, do consumo de medicamentos psiquiátricos. Entretanto, há muitos psiquiatras que defendem sua utilidade e afirmam que eles permitiram reduzir a quantidade de doentes encerrados em manicômios.
Resposta. Em primeiro lugar, não é correto dizer que os antipsicóticos tenham reduzido a presença de pessoas em manicômios. O esvaziamento deles têm a ver com considerações financeiras. Era muito caro manter tanta gente nessas instituições por muitos anos. Essa redução não coincide com a introdução de fármacos antipsicóticos. Os antipsicóticos estão entre os medicamentos mais tóxicos que existem, depois da quimioterapia para o câncer. Produzem dano cerebral permanente, algumas vezes inclusive depois de um tempo de uso relativamente breve, e tornam mais difícil que a pessoa volte a viver uma vida plena. Cheguei à conclusão de que, muito provavelmente, seria muito melhor para nós se não utilizássemos absolutamente nenhum antipsicótico. Não sou a única pessoa que acha isso. Há psiquiatras que estudaram a literatura de uma forma tão cuidadosa como eu e que chegaram à mesma conclusão: que na verdade não precisamos de fármacos antipsicóticos, porque, apesar do nome, antipsicótico, não curam as psicoses. Os antipsicóticos tranquilizam as pessoas, mas também lhes tiram parte das suas emoções, parte dos seus pensamentos normais. Você pode ver que alguns deles se tornam zumbis, incapazes de fazer qualquer coisa.

P. Se estes fármacos são tão nocivos, por que começaram a ser usados de forma habitual na psiquiatria?
R. Em 1954, quando a clorpromazina foi descoberta e chegou ao mercado, era considerada uma droga ruim, comparada a uma lobotomia química. Entretanto, um ano depois, de repente ficou boa. Isso é muito estranho. Houve um presidente da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria Biológica que afirmou que esse fármaco era como a insulina para o diabetes. É algo demencial, porque, se você tiver diabetes, lhe falta insulina, e quando lhe dão algo que lhe falta é um bom tratamento. Mas quando você tem uma psicose não lhe falta nada, então a comparação é errônea. Entretanto, desde que essa ideia foi lançada fala-se em um desequilíbrio químico. Não há desequilíbrio químico, nunca se pôde demonstrar que haja nada nos pacientes psicóticos ou depressivos que seja diferente das pessoas sãs. O desequilíbrio químico é uma mentira.
O Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA realizou um teste com clorpromazina, com fármacos similares e com um placebo e concluiu justamente o contrário do que ocorre quando se dá estas drogas às pessoas. Observaram que os pacientes ficavam menos apáticos, que se moviam mais e pareciam melhorar. Estas drogas fazem justamente o contrário. Isto acontece porque os testes não estão bem cegados [concebidos de modo a evitar distorções].

P. Se os dados dos estudos são acessíveis a todo mundo, por que tantos psiquiatras os interpretam mal? São todos burros ou malvados?
R. Esta pergunta é interessante e não diz respeito apenas à psiquiatria. Por que passaram tantos séculos fazendo sangrias? Mesmo quando o paciente tinha cólera e precisava de fluidos, tiravam o sangue das pessoas, e muitas vezes isso as matava. E acreditavam que faziam bem. Durante séculos. Como é possível que nós, os humanos, que temos cérebros maravilhosos, possamos ficar presos em equívocos coletivos como as sangrias ou a crença nos antipsicóticos. Assim são os humanos, mas temos que combater isso demonstrando às pessoas que suas crenças não coincidem com as evidências científicas.

P. Que alternativas existem aos fármacos contra as psicoses graves?
R. É muito simples: fármaco nenhum. A alternativa a dar muitas drogas às pessoas é lhes dar muito poucas. Se fizéssemos isso, teríamos uma população mais saudável, que viveria mais, porque as drogas psiquiátricas matam muita gente. E não aleijaríamos tanta gente, tanto física como cerebralmente. Outra opção é entender que muitas das ditas enfermidades psiquiátricas são tratadas melhor através da psicoterapia. Essas doenças muitas vezes têm a ver com fortes emoções com as quais as pessoas não podem lidar e que as deixam assustadas, ansiosas... Usando a psicoterapia, pode-se ensinar as pessoas a lidarem com esses sentimentos fortes que acabam transformando-as em pacientes psiquiátricos.

P. Como os psiquiatras costumam reagir às suas críticas?
R. Rarissimamente debatem comigo o que a ciência diz. Acho que isso mostra que para eles é difícil debater sobre a ciência. O que fazem é tratar de me denegrir como pessoa. Dizendo que não sou um psiquiatra. É verdade, mas aprendi a ler, sou um pesquisador, sei ler artigos científicos. Não preciso ser um psiquiatra para saber sobre essa área. Também, além desses psiquiatras que se sentem ameaçados, há outros que estão de acordo comigo. E há alguns que não utilizam drogas psiquiátricas. Há outros psiquiatras que estão mudando de opinião com base no meu trabalho, algo que me anima muito. Alguns não escutam, porque consideram aterrador demais. Se você acreditou em algo durante 30 anos, como vai alterar essa crença? Como vai dizer para si mesmo: “Eu estava enganado desde o começo, fiz muito mal aos meus pacientes”? Isso não é fácil, é mais fácil fechar os olhos e continuar como sempre.

P. Do jeito que você explica as coisas, dá a sensação de que as pessoas estão bem, começam a tomar remédios e pioram, e precisam parar de tomá-los para voltar a ficar bem. Mas as pessoas começam a tomar medicamentos porque estão mal, e quando deixarem de tomá-los é provável que a doença não tenha desaparecido.
R. É um pouco complicado. Quando as pessoas não se sentem bem e começam a tomar drogas, muitos sentem que elas ajudam. Mas o que não sabem é o que teria acontecido se não tivessem tomado nenhum fármaco. A maior parte das pessoas melhoraria em questão de semanas, sem necessidade de drogas. Quando você lhes dá um antidepressivo, muitos também melhoram em questão de semanas. Mas a diferença entre administrar a droga e um placebo é muito pequena, e esses testes clínicos não são confiáveis, porque não estão bem cegados. Tanto os médicos como os pacientes confundem o processo natural de cura que teria acontecido de qualquer forma, inclusive com uma psicose aguda, com o efeito do fármaco.
Por outro lado, os pacientes ficam nervosos quando deixam a medicação. Perguntam-se o que acontecerá, se voltarão a ficar deprimidos. E, sim, se deixarem um antidepressivo de um dia para o outro, muitas pessoas terão uma depressão em questão de dias, mas isto não é uma depressão real, é uma depressão fruto da abstinência. Agora seu cérebro mudou e, como um alcoólatra quando deixa o álcool, você vai se sentir mal.


Reportagem de Daniel Mediavilla
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2016/09/20/ciencia/1474391855_558264.html
foto:http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAzBIAD/farmacos-psicotropicos

Os hospitais dos arredores de Buenos Aires em estado crítico

Hospital Pedro Fiorito de Avellaneda

Silêncio sepulcral. Faz um ano que não se ouve o choro de bebês na sala de Neotanologia do Hospital Pedro Fiorito de Avellaneda, na província de Buenos Aires. As cinco incubadoras estão desligadas da tomada, os berços vazios, os equipamentos mais sensíveis protegidos por plásticos. O departamento de Neonatologia fechou em outubro do ano passado por falta de pessoal: das sete pessoas que trabalhavam ali há dois anos, só sobraram três. A busca por especialistas que cubram as vagas é muito difícil. A oito quilômetros dali, na capital argentina, os médicos ganham quase o dobro. Os profissionais dos 79 hospitais públicos da província de Buenos Aires iniciaram na quinta-feira uma greve de 48 horas para exigir melhoras salariais. Entre as reivindicações também estão suas condições de trabalho.
“Entrei aqui há 16 anos. Naquela época havia médicos contratados, dois por turno. Havia residentes, havia médicos de fora. As pessoas que terminavam a residência, como eu, queria entrar em um hospital público. Com o tempo, elas foram se aposentando, saindo, pedindo demissão. Hoje, somos três”, relatou Margarita Araya, neonatologista do hospital, um dia antes da greve. O salário de um médico que ingressa na saúde pública na província ronda os 15.000 pesos (cerca de 3.180 reais). “Ninguém vive com o salário de um hospital público. É preciso trabalhar em dois ou três lugares”, continua Araya, que complementa sua renda com um emprego em uma clínica particular.
Quando Araya chegou, o hospital realizava cerca de 2.300 partos por ano. Nos anos que precederam o fechamento do serviço, já eram apenas 1.200 e com uma complexidade muito inferior, porque só havia um especialista por turno. Agora, seu trabalho se limita a esperar se chega algum parto em estágio tão avançado que seja impossível enviar a gestante a outro hospital a tempo.
“Com os 15.000 pesos atuais, os trabalhadores não conseguem atingir a cesta básica, fixada em 20.000 pesos (4.235 reais). Essa política está esvaziando de funcionários o sistema público de saúde. Porque com os salários magros, a violência, a falta de insumos e as más condições das instalações, os profissionais migram para as instituições particulares”, denuncia Fernando Corsiglia, presidente da Associação Sindical de Profissionais da Saúde da Província de Buenos Aires (CICOP).
A secretaria de saúde da província admite a necessidade de aumentar os salários dos funcionários dos hospitais, mas rejeitam a medida de força por considerar que há uma negociação em curso. “A greve ocorre em meio a uma disputa que está aberta”, afirmou, por telefone, Leonardo Busso, diretor provincial de hospitais. “O salário é muito baixo. Estou de acordo com a queixa, mas o assunto é complicado”, acrescenta ele, que explica que não se pode equiparar de um dia para o outro os salários da província com os da capital. Busso arremete contra a gestão kirchnerista por considerar que houve uma “falta de investimentos em saúde” e define como “muito ruins” as condições em que os médicos trabalham.
O Governo provincial, encabeçado pela governadora macrista María Eugenia Vidal, fez um diagnóstico desolador do sistema que ela encontrou ao assumir o cargo, em dezembro de 2015. “Cinquenta e três dos 79 hospitais precisam de reformas urgentes. Quatro deles precisam ser construídos novamente”, diz Busso.
Um desses quatro é o hospital Lucio Meléndez de Adrogué, a 23 quilômetros ao sul da capital argentina, com 114 anos de funcionamento. “Perigo! Não colocar pacientes sob a placa”, diz um cartaz pendurado sobre o quadro elétrico em um dos corredores. A menos de um metro, uma mulher deitada em uma maca e com um soro intravenoso se recupera de uma diarreia, enquanto médicos, enfermeiros e pacientes passam para lá e para cá diante dela. Atrás, um jovem de 17 anos espera, em posição fetal, que uma sala de cirurgia seja liberada para que ele seja operado com urgência de uma apendicite. Os três consultórios do plantão de pediatria estão instalados no que antes era um corredor. Há pias quebradas, banheiros que precisam ser divididos entre pacientes e médicos, cabos expostos, ventiladores sem grade de proteção, goteiras e até o buraco que algum roedor deixou em uma das paredes, decorado com humor: “Jerry, sua casa”.

Investimento em infraestruturas

O Executivo de Vidal elaborou um ambicioso plano de infraestruturas, que prevê um desembolso superior aos 3,5 bilhões de pesos (740 milhões de reais) entre este ano e o próximo para fazer mais de uma centena de obras nos hospitais. A chefe de Emergências do hospital Meléndez, Virginia Vallejos, se mostra cautelosa com o anúncio. “Mais do que palavras, precisamos de ações”, diz. Funcionária do local desde 1980, ela recorda que um ministro da Saúde — que ela evita identificar — prometeu-lhe certa vez que em seis meses estariam cortando a fita de uma nova ala. A promessa nunca se concretizou.
O tomógrafo está instalado em um edifício anexo ao estacionamento do hospital. Quando chove, os pacientes — que costumam ser transportados em macas ou cadeiras de rodas — precisam ser protegidos por um guarda-chuva no trajeto entre o hospital e a sala de tomografia. A pouco metros está a sala de espera da Oncologia, também sob a intempérie, na qual aguardam os pacientes que fazem quimioterapia.
No início, Vallejos integrava a equipe de terapia intensiva. Havia cinco camas, as mesmas que há hoje, apesar de que Androgué cresceu muito e sua população se aproxima dos 30.000 habitantes. Em outros hospitais houve até um retrocesso. Segundo o diagnóstico oficial, perderam-se 636 camas na província por falta de investimento e calcula-se que faltam 2.100 profissionais apenas para recuperá-las.
O médico clínico Aníbal Aristazabal, do Fiorito, compara a evolução dos hospitais públicos com a das estrelas. Acredita que nos anos 80 eram gigantes vermelhas, agora são anãs brancas e “estão a caminho de se tornarem buracos negros”. Como todos os outros, confia em que seu prognóstico falhe e desta vez as promessas sejam cumpridas.
Reportagem de Mar Centenera
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2016/09/22/internacional/1474565187_105765.html
foto:http://www.diariopopular.com.ar/notas/149096-preocupa-situacion-del-hospital-pedro-fiorito

23/09/16

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Yahoo admite o roubo de dados de 500 milhões de contas, um dos maiores ‘hackeos’ da história


gigante da Internet Yahoo reconheceu ontem, dia 22 de setembro, que sofreu um roubo gigantesco de dados, que afetou 500 milhões de contas de usuários, um dos maiores hackeamentos da história. Os piratas roubaram informações pessoais, como dadas de nascimento, endereços de e-mail, números de telefone e senhas, segundo afirmou o grupo em um comunicado, no qual acrescenta que os dados bancários e de cartões de crédito dos usuários não foram afetados.
O Yahoo afirma que está trabalhando em estreita colaboração com os serviços de segurança dos Estados Unidos para tentar esclarecer todos os desdobramentos desse roubo de informação, que foi perpetrado em 2014. Apesar de a empresa explicar em seu comunicado que não há evidências de que o ataque e roubo tenham sido patrocinados por um Estado, a agência Reuters afirma que essa é a principal suspeita.
A firma destaca que o intruso está fora dos sistemas do Yahoo e que foram tomadas todas as medidas para restabelecer a segurança das contas pirateadas. Além disso, recomenda que os usuários que não tenham alterado suas senhas desde 2014 façam isso o mais rápido possível, e que também modifiquem as perguntas e respostas de segurança.
Neste verão, o Yahoo admitiu que estava investigando a suposta invasão de um hacker chamado Peace, que afirmou ter as credenciais privadas de 200 milhões de usuários dos serviços do Yahoo desde 2012. Peace vende os dados pessoais, endereços de e-mail e senhas na dark web por 3 bitcoins, equivalentes a 1.800 dólares.
A invasão pode ter implicações no acordo de compra do Yahoo pela gigante das telecomunicações Verizon. A empresa, que já controla a AOL, pagará 4,83 bilhões de dólares (equivalentes a 17,4 bilhões de reais) pelo coração do negócio da empresa fundada por Jerry Yang e Dave Filo. Marissa Meyer, que assumiu o comando há quatro anos com um grande alarde, fracassou em sua tentativa de ressuscitá-la.
Já em pleno processo de venda, em julho passado, milhares de usuários do Yahoo perderam todos os seus contatos e milhões de e-mails.
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2016/09/22/actualidad/1474570081_475155.html
foto:http://www.technobuffalo.com/tag/yahoo/

O que pode mudar nas escolas após anúncio do Governo

Flexibilidade de currículo e formação técnica são algumas das mudanças propostas.



Ministério da Educação anunciou ontem uma série de mudanças no ensino médio brasileiro que devem, efetivamente, começar a entrar em funcionamento no país a partir de 2018, depois de serem debatidas no Congresso Nacional. Confira abaixo o que pode mudar:

Flexibilidade de currículo

Atualmente os alunos brasileiros são obrigados a estudar durante três anos 13 disciplinas – português, matemática, química, física, história, geografia, biologia, educação física, filosofia, sociologia, artes, espanhol e uma segunda língua estrangeira. A partir da implementação do programa, essas 13 matérias serão obrigatórias pelo prazo de um ano e meio. Depois, disso, os jovens escolhem os conhecimentos específicos de cinco áreas: ciências humanas, ciências da natureza, linguagens, matemática e formação técnica profissional. Português e matemática seguem obrigatórias durante todo o ensino médio. Um exemplo, quem decidir por linguagens estudará, na segunda etapa, matérias como linguagem de programação, línguas estrangeiras, artes, entre outras.

Ampliação da carga horária para o tempo integral

A carga horária anual saltará de 800 horas aula por ano, o que equivale a cinco horas de aula por dia, para 1.400 horas aula por ano, ou sete horas aula por dia. Essa ampliação será gradual até o ano de 2024, segundo previsto no Plano Nacional de Educação. A expectativa é que a metade dos alunos de ensino médio do país e um quatro do ensino fundamental estejam entre os atingidos por essas mudanças. Para incentivar que os Estados participem dessa proposta, o Ministério da Educação pagará 2.000 reais por aluno por ano que for inscrito no ensino integral. Isso, desde que atenda ao menos 400 estudantes por escola. A expectativa é que meio milhão de jovens passem a estar integralmente na escola.

Formação técnica

Na maioria das escolas técnicas hoje, os alunos fazem os três anos de ensino médio para, só depois, entrarem no ensino técnico pelo período de um ano e um ano e meio. Com as novas regras, ao final de um ano e meio, ele já poderá optar pelo ensino técnico. Assim, no período de três anos, ao invés de quatro e meio, o jovem já teria capacidade de ingressar no mercado de trabalho com uma formação específica. As aulas, segundo o ministério da Educação, terão de ser teóricas e práticas. Com o diploma os jovens também poderão concorrer a vagas em universidades ou em cursos tecnológicos.

Créditos no ensino superior

Depois que o Conselho Nacional de Educação normatizar a questão, os créditos do ensino médio poderão ser aproveitados no superior. Ou seja, depois de ingressar na universidade, o aluno não precisará cursar disciplinas que envolvem conhecimentos que ele já obteve na etapa anterior de ensino.
Reportagem de Afonso Benites
fonte:http://brasil.elpais.com/brasil/2016/09/23/politica/1474583084_185152.html
foto:http://blogdexucuru.blogspot.com.br/2016/03/secretarios-estaduais-de-educacao.html